Júlia Zakarewicz

anota;

Necessidade dos sedentos

Quando um irmão nega comida ao outro

É um sinal de que o sistema está vencendo

Os novos confundem conservadorismo com respeito

E eles são o escopo do capitalismo

Confundem igualdade com socialismo

E se faz um caos e céus fechados

Onde a malícia é maior determinante

Num mundo que segue sem regras

Sem pudor, sedento de disputas para o destaque

Sedento de mortes para o impressionismo

Sedento de óleo para escurecer os mares

Sedento de gases para escurecer os céus

Sedento de mágoas para chorarem mais

Política de ”Troca de favores”

Expressões utilizadas há um século e meio atrás, como ”Troca de favores “, que faz referência ao poder supostamente conquistado pela honra (princípio monárquico) e se mistura com interesses dos famosos ”senhores de terras’’, ainda são encontrados hoje na política partidária. Para se manter no poder, a atual presidente da república, conta com apoio de partidos que para isso recebem ”benefícios’’. São desqualificados e ’’ desquantificados’’ seus ”malfeitos’’ (expressão utilizada para causar menos impacto do que a polêmica palavra corrupção). Favores aqui, favores ali, a presidente toca o barco arrastando junto  deputados, senadores com um salário que representa boa parte da fome das tantas vítimas da ignorância política. A ruína de uma república -segundo o   filósofo Charles de Montesquieu- se dá na falta de conhecimento político ou na fusão de poderes, interferência onde se busca benefícios. A ocupação de um cargo político deveria se dar pela aptidão e competência, mas a conveniência rege. Não podemos chamar de democracia o caos que nos encontramos, e as evidências de que conscientização é o sentimento que mais falta no coração desse país que ainda chora as marcas de um passado negro onde o ‘’jeitinho’’ é a marca registrada. O que falta  em quem representa nosso poder? vergonha na cara.

Aleatórios

Tarde de domingo

Hévila

Silvia

Karol

Desconstrução

Sentou naquela mesa, cheirava frio e mágoas
Sentiu humilhação trajada e tão calada
Via a flacidez do rosto já tão velho
Conjugou o verbo mal como se fosse pobre

Achou que não devia aumentar seu ego
Erguia as mãos doentes num ato frio e trágico
Suava feito novo com palavras fortes
Fazia tipo quando perguntavam os filhos

Zabumbavam as colheres no vidro falso, plástico
Era um eloquente e hoje moço de fábrica
Voou nos céus ardentes e infernos frígidos
Contradizia moças se fazendo santo

Não sabia que era gente, se tornava óvulo
Andava com amantes, se fazia onírico
Fingia na marcha leve seu papel de homem
Tragou o seu cigarro como se fosse Darvin

Puxou o seu gatilho derramando sangue
Levou a própria vida pro inferno frígido
Pensou em reclamar mas era moço de fábrica
Tal vida se tornou a morte fria e plástica

o que te faz continuar?
preciso desse remédio, sair daqui
preciso sair da imprecisão
mas até gosto do improvável

vou caindo num precipício
as agulhas me perfuram, geladas
dias lúgubres, noites travessas
com palavras perfunctórias

fui até a última esquina
e lá vi um homem morto
onde está o problema em tudo isso?
o problema é não ter sido relevante

dia lúgubres, noites travessas
noite tão gelada, dor espinescente
o que te faz continuar?
vamos sair logo, vamos dar o fora daqui

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